quinta-feira, 11 de agosto de 2011

UM TEMPO ALÉM DO SOL

Deseja-se o sol, e às vezes o que se tem é chuva, buca-se respostas e o que encontra-se são mais perguntas, busca-se soluções perfeitas e depara-se com o tempo...  A visão está muito distorcida para ver além do sol tão esperado, os olhos naturais nos dias de hoje não conseguem mais perceber... o tempo, o simples, as formas, os detalhes. Apertar a tecla "pause" é motivo de paranóia, e quem tem muito tempo não é pessoa séria e os que são importantes não tem tempo. Parar um pouco nos dias de hoje trás a perseguidora depressão, até a insônia encontrou a solução para ocupar as noites na companhia daquelas que nunca dormem, a internet e a televisão.

Tenho visto em muitas situações algo que nos traz surprezas e os melhores resultados é a espera, e não o que vem depois. Nossas anciedades e corridas pela  negociações do tempo envelhece a alegria de nossos dias. Por que enfrentar longas filas, onde se prova algo pouco produtivo ou interativo? Do que serve as alegrias com sabores nulos? E por que tantos apagam lembranças de expectativas frustradas? Será que é só para não se revelar ou compartilhar para não dar o gostinho ao próximo? Será tempo perdido? Não aprendemos com os dias ruins também? Então por que postar somente cenas como se vivessemos em um comercial de margarina, tudo sempre é belo e lindo? Depende do ponto de vista, e o que se aprende nos dias que encontra-se problemas, dificuldades e adversidades.

Se tem muito tempo... " as horas não passam". Se o tempo está se findando ... "as horas voam". Quem mata tempo, fere-se a si mesmo. E assim quem não consegue parar, faz do tempo uma mercadoria ou como dizem "tempo vale dinheiro".

Como nas estradas, as marginais também existem em nossas vidas. Então por que às vezes não dizer: "é hora de parar um pouco, não consingo enxergar". É o astigmatismo e a miopia desse tempo. Precisamos parar quando já não percebemos que nesse ou aquele caminho existem muitos buracos perigosos, ou quando não conseguimos contemplar as belezas em outros caminhos, ou ainda aquilo que deveria nos chamar atenção, como as montanhas que são depiladas a cada instante, os mares e rios que pedem um bom banho, as ruas que gritam por férias e os feriados que desejam um descanso.

O tempo nos serve, mas também precisamos aprender a esperar por ele o quanto for preciso. Procurar ser sábio para poder entender que a riqueza está em poder parar e ver além do sol, e que o dono do tempo nos faz entender... quando um tempo terminou e um novo começou. Além do sol.

Jack