sexta-feira, 27 de julho de 2012

OUVINDO UM CORAÇÃO ...

Essas palavras são do meu coração que ouve o compartilhar silencioso de outro coração...

 



 "Parece que minha vida passa diante dos meus olhos, sinto fraqueza, desesperança, não sinto vontade de fazer o mal, não sinto vontade de errar, mas o faço, talvez sem querer, talvez por estar sem motivação. Deixo-me levar, por algo que pareça ser bom, por algo que me distraia, por algo que me leve para longe de quem eu sou. Às vezes aparento estar forte, estar normal. Minha casa? Esta perfeitamente em ordem, abro todos os dias para arejar um pouco, e tudo parece estar no lugar correto, talvez tenha esquecido de limpar atrás do armário, mas outro dia, talvez amanhã eu limpe. Isso não tem tanta importância assim. As pessoas, família e amigos? Sim, os vejo quase sempre, mas, sinceramente? Parecem que mesmo assim, sentem minha falta. Talvez seja porque dentro de mim, procuro deixar as janelas fechadas, quero ficar só, preciso ficar só, eu e talvez mais alguém, mas alguém que me faça esquecer da rotina, dos dias em que vivo, ou preciso... Não sei, mas hoje já não consigo encontrar. Onde estava mesmo? Onde eu ia? O que eu queria? O que eu sonhava?

Saio um pouco, esta tudo normal, parece que continuo vendo o amor, continuo vendo a esperança, mas... logo esses somem diante de mim. Queria alcançá-los novamente, queria abrir a janela e a porta do meu coração e deixar aquele lindo sol pela manhã entrar, me aquecer e iluminar aqueles novos caminhos, as novidades de vida que sempre me acompanhavam. Acompanhavam-me também, a paz, a fé, a misericórdia, a compreensão, a compaixão, até o  domínio próprio me acompanhava ou ao menos eu tentava segui-lo. Ahhh, não poderia deixar de lembrar... das pessoas que me acompanhavam, tantas palavras, sorrisos, momentos, e compartilhar de novos sonhos, juntos, unidos numa mesma fé, em uma mesma esperança.

Fico pensando... Será que irão se cansar e me abandonarão? Será que não conseguem mais me ver como eu sempre fui? Não,  sei que hoje posso até vê-los com outros olhos, mas continuam as mesmas pessoas, amadas e que também me amam muito, eu sei que amam e se preocupam comigo. Sei que são as melhores que Deus poderia ter colocado em minha vida, principalmente aqueles que vivem comigo diariamente. Nossa! Será que tenho perdido algum momento ou algum detalhe? Não consigo por vezes sentir a intensidade do que esta tão perto. Sinto que sofri um furto de sentimentos e sensações, ou me deixei levar. Fiz uma troca por algo que nem aqui está, e nunca poderia estar. Que sabor tem algo roubado? Logo não terá valor ou sentimento, e muito menos alguma satisfação como eu poderia ter. naquilo que já me foi dado.

Por que? Por que olhos meus? Por que coração meu? Porque teimas em desviar daquilo tão perfeito e absoluto, eleito e precioso. Hoje entendo que foram essas minhas escolhas que Te fizeram pagar aquele tão alto preço, tudo por mim, aaahhh sim, tudo por nós!

Hoje então encontro em mim o que Paulo diz:  “quando quero fazer o bem, o mal está comigo. E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri. E o mandamento que era para vida, cheguei a pensar que me era para morte. Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou. E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom. Logo tornou-se-me o bom em morte? De modo nenhum; mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo bem; a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno. Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.”  (Rm 7)

Hoje proponho que eu possa dar a mim, uma permissão, de hoje fazer aquela limpeza, poder abrir as janelas, deixar novamente a luz entrar, e abrir os olhos, prestando  atenção nos detalhes daquilo que guardei tanto tempo aqui dentro, e me desfazer de tudo que não traz boas recordações, de tudo mesmo. Mas será mesmo? Talvez devo ficar somente com isso. Não!! Não preciso de nada, de nada além daquilo que me foi dado por herança, por intermédio de um verdadeiro amor. O mais perfeito amor, que permito agora invadir-me e restituir o tempo roubado pelo gafanhoto."


 Jackeline Matos